Uma percepção bem difundida, não só entre nós, é que a grande política bateu de vez em retirada, deixando-nos impotentes diante de círculos opacos de poder.
Este é um momento em que todos – liberais, conservadores, socialistas – temos motivos reais de queixa e frustração, que não poupam ninguém que se identifique com cada uma dessas áreas clássicas da política moderna.
A ideia de mercado como critério absoluto relegava a política a plano secundário, limitada, se tanto, às fronteiras de cada país.
O movimento das coisas, tumultuoso e autônomo, acontecia acima da vontade dos indivíduos e das instituições, enfraquecidas, estas últimas, de modo deliberado.
Ou, também, na fórmula reducionista de Ronald Reagan, a ideia de que o governo – assim como a política, a deliberação consciente dos cidadãos – eram sempre o problema, nunca a solução.