Carles Puigdemont, em Bruxelas - ERIC VIDAL / REUTERSQuando Carles Puigdemont — que até a semana passada era o presidente do governo catalão — pediu ao Parlamento regional que votasse uma resolução que cortava os laços da região com a Espanha, ele realizou um ato de martírio político. Como estratégia política, porém, o martírio busca amplificar o sofrimento e a vitimização em nome de uma causa, especialmente uma causa utópica ou quixotesca, como a independência catalã. O martírio de Puigdemont se apoia em um longo histórico de repressão violenta do nacionalismo catalão por parte da Espanha. É difícil dizer se a estratégia do martírio funcionará, já que os separatistas têm enfrentado dificuldades em suas tentativas de se apresentarem como vítimas. Por fim, para que o martírio político funcione na Catalunha, Puigdemont terá que demonstrar a principal virtude dos mártires: a coragem.
Source: O Globo November 06, 2017 10:18 UTC