Bolsonaro é prisioneiro de sua base extremada, que não chega a um terço da população brasileira. Bolsonaro é um líder tão algemado pelo êxito do seu “espontaneísmo” que se desgasta até com setores dominantes, adeptos dos aspectos ultraliberais do modelo econômico que aprofunda. Representante de um outro padrão de política, Lula seguirá prisioneiro de seu extraordinário carisma. Faria bem a volta daquele Lula aberto à autocrítica, que rejeitava o “lulismo” e se reconhecia como “fruto da consciência política da classe trabalhadora”. Isso só agravaria a tendência contemporânea do individualismo, das “bolhas” egoístas de proteção e indiferença, negadoras da sociabilidade e da política.
Source: O Globo December 30, 2019 02:14 UTC