Na ocasião, uma mulher solteira, de 21 anos, grávida do terceiro filho, que adotou o pseudônimo Jane Roe na ação, desafiou a constitucionalidade da lei do Texas que proibia o aborto eletivo. A decisão não conferiu direito absoluto ao aborto, sendo permitida a imposição de restrições por parte dos estados a partir do segundo trimestre de gestação. Essa visão foi recentemente contestada por Caitlin Knowles Myers no renomado Journal of Political Economy de 2017, abrindo frente para interpretação alternativa sobre a importância da liberalização do aborto na década de 1970 para as mudanças observadas. Além disso, é plausível que o ganho da prevenção tenha sido mais do que compensado pelo aumento da atividade sexual entre os jovens, especialmente no período em questão. Nas palavras de Myers, as profundas transformações sociais e econômicas da época, via controle da fecundidade, são muito mais decorrentes do “poder” da liberalização do aborto, do que do “poder” da pílula.
Source: Folha de S.Paulo September 29, 2020 00:33 UTC