Há muito aprendemos que a taxa de câmbio é formada no mercado de ativos, e que responde aos retornos esperados e ao risco. No entanto, o risco fiscal não se manifesta apenas na taxa cambial, mas também no aumento da inclinação positiva da curva de juros. Intervenções no mercado de câmbio podem esconder a manifestação do risco no mercado de dólares, mas não o eliminam, o que faz com que ele apareça em outros mercados. Se as intervenções no mercado de câmbio conseguirem “esconder” o risco, ele aparecerá no mercado de juros na forma de aumento da inclinação positiva da curva, tornando mais difícil a vida do Tesouro e do Banco Central. Da mesma forma, se uma desastrada “operação twist” tentasse reduzir os juros no ramo longo da curva de juros, o prêmio de risco migraria para o real, aumentando a depreciação.
Source: O Estado de S. Paulo September 27, 2020 07:52 UTC