Como eventual contribuição a uma explicação, avanço aqui duas possibilidades inteiramente subjetivas e derivadas da minha biografia pessoal como repórter. No caso brasileiro dos últimos dias, é patente que não. Em segundo lugar, o governo é ocupado por “eles”, políticos e seus nomeados, uma espécie de casta. É evidente que “nós” não nos sentimos representados por “eles” – e quando confrontada com o fato de que “eles” estão lá pois foram votados para estarem lá, imensa quantidade de pessoas não gosta do que enxerga no espelho. Temo ter de dizer que esse flerte com o abismo, registrado nos últimos dias, seja a expressão da desintegração (que não me parece meramente passageira) da capacidade do Estado de impor diretrizes e autoridade.
Source: O Estado de S. Paulo May 31, 2018 06:00 UTC