O diretor Costas Zapas se inspira no paradigmático romance de Shelley e o funde a seu próprio livro, “Frankenstein: REC”, para compor o roteiro. O longa acompanha uma jovem repórter obcecada pela ideia que toda ficção esconde uma verdade. Jornalistas no cinema têm a mesma função que os detetives, estão ali para desvendar fatos e fazer a história avançar. O efeito colateral comum desse tipo de proposta, no entanto, é enrijecer as possibilidades expressivas, substituindo a dramaturgia pela visualidade. As formas são ostentadas de tal maneira, atraem tanto a atenção que passamos a olhar para elas em vez de as ver, desistimos de tentar ler o que elas dizem, pois elas escondem o vazio de sentido.
Source: Folha de S.Paulo February 17, 2021 15:05 UTC