Em 1992, a morte de torcedores do Flamengo que caíram da arquibancada do Maracanã minutos antes do Campeonato Brasileiro foi alegremente celebrada com músicas por torcidas rivais. Toda a comunidade do futebol fracassou ao se calar. Ele próprio já disputara milhares de partidas ao som de ofensas, fosse como jogador ou técnico, provavelmente sem nunca se dar conta de que se construía uma repugnante normalização dos abusos. De repente, todos se deram conta de que, embora embrionária, nascia no futebol uma disposição de não mais naturalizar tais comportamentos. No Fla-Flu de quarta-feira tivemos a sensação de retrocesso, de reaproximação com o fundo do poço em matéria de dignidade.
Source: O Globo January 31, 2020 13:41 UTC