Quando os soldados do exército invasor estupram as mulheres do país invadido, isso é um crime de guerra —e um esculacho. Quando o presidente homenageia um coronel torturador que enfiava ratos vivos na vagina das prisioneiras, isso é uma imoralidade —e um tremendo esculacho. Os críticos costumam atribuir ao deboche bolsonarista função secundária, ainda que importante: gerar manchetes e bate-boca, provocando opositores e deliciando governistas. Em parte é isso mesmo, mas o esculacho vai além do plano simbólico: mora no coração das realizações governamentais. Eis uma obra-prima de esculacho: o receptor da medalha sabe que é indigno dela.
Source: Folha de S.Paulo March 23, 2022 19:45 UTC