Dias atrás, mundo afora, as manchetes destacaram a (falsa) ultrapassagem da fronteira do milhão de mortos por Covid-19. De qualquer forma, é um sinal da escala da pandemia —e, ainda, um alerta sobre a arrogância humana. A Covid, em contraste, ceifará menos que 0,03% da população do planeta e será praticamente indetectável nos gráficos da dinâmica demográfica. Na ponta oposta, o milhão global de mortos desmente os profetas que, inspirados pelo Imperial College, imaginaram algo como uma reedição da gripe espanhola. Mas as profecias hiperbólicas simétricas evidenciaram complexos intercâmbios entre o discurso científico e as narrativas políticas.
Source: Folha de S.Paulo October 03, 2020 02:15 UTC