Se o objetivo, como diz o Governo, é permitir que empresas venham a competir dando maiores vantagens para pessoas que não apresentam no momento, ou ao longo dos últimos anos, problemas de saúde, isso tenderá a fazer com que beneficiários "mais saudáveis"7 deixem as operadoras em que se encontrem em busca de um valor momentâneo mais barato. A empresa que receber esse beneficiário "mais saudável" irá ter uma receita menor e, ao mesmo tempo, se tudo der certo, um risco menor (não se pode esquecer, por exemplo, que uma urgência ou emergência não tem idade, nem hora, nem carência...); [2ª.]. A quarta consequência estaria na empresa que hoje vem mantendo consumidores "mais saudáveis" em sua carteira, e que seriam o alvo dessa concorrência pretendida pelo Governo. Esse prejuízo poderia ser atenuado se o SUS, de fato, fosse para todos e com a qualidade que dele se espera nos termos da Constituição Federal; porém não é isso o que acontece. Porque enquanto as pessoas estiverem tendo que buscar uma operadora de planos de saúde, sacrificando-se em extremo, isso será um sinal de que o SUS não está prestando um bom e confiável serviço, isso é sinal de que ele não tem um ótimo e positivo relacionamento com a classe médica e os pacientes.
Source: O Globo January 26, 2022 19:02 UTC