Quando, em dezembro, a primeira-dama comemorou, "falando em línguas", a aprovação do pastor André Mendonça para o STF, houve quem escarnecesse e se indignasse. Ou, na edição francesa, da Seuil: "Langues Obscures: L’art des Voleurs et des Poètes" (línguas obscuras: a arte de bandidos e poetas). São eles que exploram o potencial de perturbação e revelação de línguas desviantes no âmbito das línguas oficiais, nacionais, hegemônicas. Ao escamotear o sentido, as "línguas obscuras" adquirem o poder de transmissão do segredo. São menos línguas secretas propriamente ditas do que usos cifrados, crípticos e até canhestros da língua comum, servindo de resistência para grupos que o poder mantém à margem.
Source: Folha de S.Paulo January 30, 2022 08:22 UTC