Sei que escrevo contra a obrigatoriedade do voto com uma frequência maior do que a recomendável, mas não tem jeito, essa é uma das jabuticabas brasileiras que mais me incomodam. O incômodo é sobretudo filosófico, já que, na prática, eu dificilmente deixaria de votar caso a obrigatoriedade fosse eliminada. Para os que, como eu, defendem que votar seja opcional, o instituto é um direito. Uma eleição a que tenham comparecido 40% dos eleitores vale exatamente o mesmo que uma a que tenham acorrido 90%. Há um paternalismo arrogante por trás da defesa da obrigatoriedade: precisamos assegurar que todas as classes sociais participem do processo eleitoral, mesmo que não o desejem.
Source: Folha de S.Paulo November 28, 2020 02:15 UTC