Nas últimas semanas, a forte inclinação da curva de juros, quando os investidores exigem taxas mais elevadas – ou prêmio de risco – para os prazos mais longos de vencimentos dos contratos futuros, tem levado a um aperto das condições financeiras, exatamente o oposto do que o BC quis fazer ao reduzir a Selic para 2%. Será que a inclinação da curva de juros é resultado de um erro de postura do BC, ou seja, o estímulo monetário impulsionaria a atividade econômica em tal magnitude que levaria a uma economia sobreaquecida lá na frente, na virada de 2022 para 2023, ameaçando as metas de inflação de 2023 e 2024 e forçando, portanto, o Copom a elevar a Selic para quase 9%? A preocupação é se, a partir de 2021, as contas públicas voltarão aos trilhos, obedecendo aos limites fixados no teto de gastos. Mesmo salgada, a precificação de uma taxa Selic média de 8,8% em 2023 ainda reflete uma parcela de investidores que, embora desconfiados, segue apostando na manutenção do teto de gastos. Nesse caso, o Copom terá que elevar os juros mais cedo e a um ritmo mais acelerado do que vem sinalizando até agora, de Selic parada em 2% por um bom tempo.
Source: O Estado de S. Paulo September 30, 2020 06:56 UTC