Imagine então um blocão de verdade, um desfile completo de escolas de samba, os bailes populares em nossas comunidades. Tem sido esse o nosso soft power, nossa marca registrada para estar no mundo, alimentada por nós mesmos, os foliões compulsórios que a sustentamos. E nós só temos a oferecer ao mundo a nossa alegria. Uma alegria inventada que sempre ocultou nossos recordes de fome, crimes e assassinatos, em geral produzindo vítimas apenas entre pardos, pretos e quase pretos, os pobres sem emprego, os que não têm nada e por isso são tratados como escória. Talvez esteja no passado de nossa formação de violência contra o diferente de nós aquilo que nos impede esse autorreconhecimento.
Source: O Globo February 21, 2021 07:30 UTC