O cidadão Mário de Andrade, decepcionado com a derrota do ideal de solidariedade nacional que defende, principal chave de leitura da “Pauliceia Desvairada” e de sua correspondência em 1932, se assume separatista. Às boas qualidades dos poemas precursores de Mário de Andrade se somam tanto os predicados da experiência apaixonada de vida quanto da vidência na política do cidadão, falecido prematuramente em 1945. O adjetivo possessivo, em primeira pessoa do singular, é do agrado do cidadão Mário de Andrade. Não é, pois, gratuita a epígrafe tomada de empréstimo por Mário de Andrade de terceiro livro dele: “Em meu país de fel e de ouro / eu sou a lei”. O anacronismo crítico de Machado de Assis e de Mário de Andrade não deixa de vaticinar uma das mais apropriadas e perfeitas máximas eurocêntricas de Claude Lévi-Strauss.
Source: Folha de S.Paulo May 30, 2021 02:20 UTC